Aceitou o desafio e o risco de encarnar Edith Piaf em La Vie en Rose

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É difícil encontrar no mesmo corpo a sensualidade provençal da jovem que seduziu Russell Crowe, em Um Ano Especial, e a figurinha petite, seca de tanto cantar, que dá corpo e alma a Edith Piaf, no filme biográfico de luxo, La Vie en Rose. Dir-se-ia que Cotillard está neste filme de Olivier Dahan mais próxima da inultrapassável e decadente cantora francesa do que dela própria. Isto porque a vontade de entrar na personagem foi tal que apagou os traços suaves da sua beleza e os substituiu por os de uma mulher dura.

Apesar de Cotillard contar apenas com 30 anos quando rodou o filme e de interpretar uma personagem com mais de 40, percebeu a dimensão desse desafio. É que quando aparece em cena, seja como a jovem parisiense que cantava por moedas, em Montmartre, ou, já enferma em fim de carreira, quando abre as mãos num gesto que a imortalizou, para cantar Non, Je ne Regrette Rien, já não é a actriz que vemos, mas a personagem. Não é uma interpretação, é uma metamorfose.

A própria actriz reconhece a ousadia: “Quando me propuseram interpretar uma personagem que ia dos 19 aos 47 anos, sabendo que precisamente esse último período seria o mais importante da vida dela, percebi que embarcava numa loucura.” Enquanto hesitava, Marion compreendia também que se tratava de uma oportunidade única. Daquelas em que é melhor esquecer tudo. E mergulhar.

La Vie en Rose é daqueles filmes que mudam a carreira de uma actriz. Sobretudo porque Marion olhava para a sua filmografia e ainda não encontrara o seu grande filme de protagonista. Ainda que o cheiro dos palcos lhe fosse comum desde a infância, pois desde sempre acompanhara os pais que já eram actores e fizera diversos pequenos papéis. Mesmo assim, a carreira francesa de Cotillard ameaçava ficar presa à franchise populista de acção, Taxi (Marion entrou nos três filmes), produzida por Luc Besson. O que lhe valia era um joker no seu currículo, por ter participado em The Big Fish, de Tim Burton. A verdade é que, um ano depois, em 2004, o César de Melhor Actriz, em Um Longo Domingo de Noivado, lhe abriu definitivamente as portas. Primeiro, entrou Russell Crowe e depois Piaf. Diz que não se arrepende de nada. Pudera, a vida agora é cada vez mais cor-de-rosa.

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