Força Nacional para eleição ainda não é necessária, diz TRE-RJ

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio, desembargador Roberto Wider, disse nesta segunda-feira, 28, que ainda não há necessidade de solicitar o envio de tropas federais para garantir o pleito no Estado porque pode estar havendo uma certa “politização” da questão da segurança na campanha. Ele confirmou que o órgão já recebeu mais de 20 denúncias anônimas de que há pelo menos sete áreas da capital, dominadas por traficantes ou milicianos, em que candidatos estariam tendo dificuldade de entrar para fazer campanha e eleitores estariam sendo constrangidos , mas declarou que “a questão do tráfico e das milícias não é nova”. Nesta terça-feira, ele se reúne com a cúpula da Secretaria de Segurança do Rio para tratar do assunto.

Além das denúncias recebidas pelo TRE-RJ, a polêmica sobre a falta da segurança nas eleições fluminenses ficou latente no último sábado, quando fotógrafos de três veículos da imprensa do Rio foram obrigados por traficantes armados da Vila Cruzeiro (Penha, zona norte) a apagar as imagens registradas durante campanha do senador Marcelo Crivella (PRB), em que ele aparecia cumprimentando supostos traficantes. As fotos foram recuperadas por um software especial e publicadas. Dois dias antes, a polícia encontrou na Rocinha (São Conrado, zona sul) uma espécie de ata de uma suposta reunião na favela, que teria sido redigida por traficantes, em que se determinava “todo empenho para o candidato da Rocinha”.

Desde 6 de julho, quando a campanha para prefeito e vereador começou oficialmente, o TRE-RJ já recebeu mais de 20 denúncias . Rocinha , complexo de favelas da Penha (em especial Vila Cruzeiro) e morro do Vidigal são as áreas dominadas pelo tráfico citadas nesses informes. As áreas controladas por milicianos , todas na zona oeste, são favelas de Santa Cruz, Jacarepaguá, Rio das Pedras (uma favela em Jacarepaguá) e Carobinha. Esta última seria controlada pela “Liga da Justiça”, milícia que, segundo a polícia, é comandada pelo vereador Jerônimo Guimarães (PMDB) e seu irmão, o deputado estadual Natalino Guimarães (DEM).

Ambos estão presos. A quadrilha é acusada pela Polícia Civil de 98 assassinatos. “A questão da milícia, a questão do tráfico no Rio de Janeiro, não é de hoje, não é nova. Só que estamos verificando, e agora ficou mais latente, que eles estão entrando na atividade pública também e buscando criar representantes dessa atividade fora da lei e trazendo para dentro do governo de maneira geral”, disse Wider.

A reunião de hoje, segundo o desembargador, fornecerá elementos para que ele decida se há necessidade de pedir apoio federal. Amanhã, ele se encontra com o ministro Carlos Ayres Brito, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). ” O tribunal não oferece segurança a candidato nenhum, não é essa a nossa função constitucional. Nossa função é oferecer segurança jurídica. Teremos eleições tranqüilas, seguras. Se for necessário, vamos buscar todos os apoio. Já tivemos o apoio do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) para que nós aqui resolvamos nossos problemas, em primeiro lugar “, disse. Para ele, a ameaça aos jornalistas é “inadmissível”.

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